Na trilha "Como as áreas de compras estão impulsionando EBITDA nas empresas líderes", no palco Arena Procurement 360, a apresentação adotou um formato pouco comum: em vez de slides corridos, o público participou de um game ao vivo via QR code, assumindo o papel de gerente de compras estratégicas de uma empresa fictícia chamada Nexora Industrial.
O cenário apresentado definia o contexto de forma direta:
"Período de forte pressão operacional e financeira, produção dependente de fornecedores estratégicos, cobrança por redução de custos e necessidade de manter o abastecimento."
Cada participante partia com cinco indicadores no nível 50: atenção, valor, abastecimento, risco, caixa e agilidade (a apresentação listou seis itens ao descrever os cinco indicadores, provavelmente por sobreposição entre "atenção" e os demais). Cada decisão tomada movimentava esses indicadores para cima, para baixo, ou os mantinha estáveis — uma forma simples e visual de mostrar que não existe decisão de compras sem trade-off.
As cinco rodadas simulavam situações reais do dia a dia de procurement:
- Contrato milionário — fornecedor estratégico pede reajuste de 12%. A maioria da sala escolheu "renegociar contrato, volume e prazo", o que, segundo a apresentação, gerou "preço e previsibilidade".
- Parada de fábrica de um fornecedor crítico — com estoque para apenas dois dias. A opção mais votada foi "acionar estoque de segurança e renegociar o plano de produção".
- Pedido do CFO por corte de 15% nos gastos do trimestre sem afetar nível de serviço — resolvido pela maioria com a construção de "um plano conjunto com financeiro e operações".
- Concentração de risco: 68% do volume de um componente estratégico em um único fornecedor. A sala optou por "desenvolver um segundo fornecedor", um caminho descrito como gradual, que reduz dependência "sem abalar a operação atual".
- Decisão final do CEO, com peso de 25% no resultado, exigindo escolher entre reduzir custos, aumentar segurança, preservar caixa, acelerar decisões ou garantir abastecimento — já que, como colocado na dinâmica, "não é possível maximizar todos os indicadores".
Para quem desenvolve sistemas de procurement, SRM ou S&OP, o exercício funciona como um lembrete de design: painéis de decisão de compras raramente devem otimizar uma métrica isolada. O resultado agregado da sala — 81% classificados como "comprador de alta performance, equilíbrio entre os cinco indicadores" — reforça que ferramentas de apoio à decisão em supply chain precisam expor trade-offs simultâneos (caixa, risco, abastecimento, agilidade e valor) em vez de otimizar um único KPI, algo relevante para quem constrói dashboards, simuladores de cenário ou motores de recomendação para áreas de compras.

