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Especial · 23º Fórum de Compras & Sourcing

O paradoxo do saving: quando bater a meta de compras não significa ganhar dinheiro

Na Arena Procurement Ecosystem, apresentação questiona se KPIs tradicionais de procurement realmente traduzem resultado para a empresa — um alerta útil para quem desenvolve sistemas de métricas e dashboards de compras.

Arena Procurement Ecosystem07 de outubro de 2026 às 17:50cobertura assistida por IA, revisada pela redação
Imagem gerada por IA

Durante o 23º Fórum de Compras & Sourcing, a palestra "Como construir uma operação de procurement mais eficiente, ágil e preparada para o futuro", na Arena Procurement Ecosystem, trouxe um questionamento que interessa diretamente a quem constrói sistemas de gestão e BI para áreas de compras: os indicadores usados hoje medem o que realmente importa?

A apresentação foi conduzida por uma profissional com 30 anos de carreira, formada em engenharia, que migrou para a área de compras em 2000 e hoje é mestra em Controladoria, Finanças e Tecnologias de Gestão, pesquisadora do CIEC (Centro Internacional do Estudo de Compras) e professora em programas como o Breve II e a pós-graduação em Compras Estratégicas e Eficiência Operacional do Einstein. O estudo apresentado foi conduzido na Xara, refinaria multi-óleos que até julho deste ano operava sob a marca Agropalma e atende as indústrias alimentícia e de cosméticos.

O núcleo da palestra foi uma pergunta provocativa, repetida no início e no fechamento da fala:

"Se todos em compras cumprem perfeitamente os KPIs atuais, os indicadores pelos quais os compradores são medidos, o resultado da empresa melhora?"

A resposta intuitiva — segundo a apresentação, a maioria responderia que sim — é contestada com exemplos concretos de distorção de métricas:

"Eu sou medida por saving e para atingir a minha meta de saving, eu reduzo o prazo de pagamento na minha negociação. Ou para atingir a minha meta de saving, eu aceito comprar um volume maior do que eu gostaria, ou do que eu precisaria, para conseguir um desconto."

O ponto central: o comprador "atendeu a meta de saving", mas isso não significa necessariamente que o resultado financeiro da empresa melhorou — reduzir prazo de pagamento pode piorar o fluxo de caixa, e comprar volume excedente gera estoque parado e custo de capital de giro.

Por que isso importa para quem desenvolve software de procurement

Para times que constroem ERPs, módulos de sourcing ou dashboards de KPI, a provocação é um lembrete prático: métricas isoladas (como saving percentual) podem incentivar comportamentos que prejudicam o negócio como um todo. Sistemas que calculam savings sem cruzar dados de working capital, nível de estoque e prazo de pagamento correm o risco de validar decisões que destroem valor em vez de criá-lo.

A apresentação também mencionou brevemente a prática de compra conjunta entre empresas com o mesmo problema de fornecimento, buscando ganhar volumetria para negociação — um tema que pode render discussões futuras sobre plataformas colaborativas de compras, mas que não foi aprofundado neste trecho da transmissão.

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