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Especial · 23º Fórum de Compras & Sourcing

Por que o fornecedor mais barato de hoje pode não ser o mais competitivo amanhã

Na Arena Procurement Ecosystem, apresentação do 23º Fórum de Compras & Sourcing mostrou como bidder list, negociação e governança de contratos — não apenas preço — definem quem vira parceiro estratégico.

Arena Procurement Ecosystem06 de outubro de 2026 às 17:06cobertura assistida por IA, revisada pela redação
Imagem gerada por IA

A pergunta que dá nome à palestra — se o fornecedor mais barato de 2026 continuará competitivo em 2027 — foi respondida com um argumento central: preço é só a porta de entrada. O que sustenta uma relação de longo prazo é o conjunto de critérios usados na montagem do bidder list, a qualidade do primeiro contato e a maturidade da negociação.

Um ponto destacado é que a avaliação é via de mão dupla: "o fornecedor também avalia a contratante". Segundo a apresentação, quando a carta-convite tem prazo ruim e termo de referência mal escrito, "o fornecedor está precificando tudo o que é risco para ele" — e onde ele não entende ou vê risco, "ele sobe a margem". Ou seja, processos malconduzidos de compras acabam embutindo custo oculto na proposta.

Sobre negociação, a provocação foi direta: "uma negociação madura, ela não é espremer o fornecedor até a margem". A proposta é transformar a mesa de negociação em discussão técnica — perguntar ao fornecedor onde ele enxerga risco, sobredimensionamento ou oportunidade de automatizar no termo de referência, em vez de apenas pedir "seu melhor preço".

Controle e confiança não se excluem

A apresentação tratou o dilema "controlar ou ter confiança" como falso binário: contratos críticos exigem os dois. A comparação usada foi a de um piloto de avião — confiar nele não significa desligar os instrumentos. Documentação trabalhista e previdenciária de subcontratados foi citada como exemplo de controle que não pode depender de confiança, já que a responsabilidade por saúde e segurança é solidária.

IDF como ferramenta de desenvolvimento, não punição

No caso do BH Airport, usado como ilustração prática, o índice de desempenho do fornecedor (IDF) foi apresentado assim: "ele não é punitivo. Ele é um índice de desenvolvimento do fornecedor". A lógica defendida é sentar com o fornecedor, entender a causa do indicador não atingido e agir em parceria — e reconhecer publicamente os que performam bem.

O exemplo citado — sem atribuir a disponibilidade exata das fontes, já que os números foram descritos como fictícios para ilustração — foi o de uma prestadora que se tornou "parceria estratégica" ao longo de etapas como bidder list bem definido, negociação transparente e kick-off usado como alinhamento cultural, não cerimônia burocrática. Segundo a apresentação, em 12 anos de concessão o aeroporto substituiu 90% dos fornecedores estratégicos originais, e a prática de revisar contratos vigentes trouxe, em média, 5% de redução de custo recorrente sobre o OPEX desses contratos — com o desafio de repetir o ganho ano após ano.

Para quem lida com sourcing de tecnologia, a mensagem prática é revisar critérios do bidder list, tratar indicadores como gatilho de ação (não apenas medição) e usar o kick-off para alinhar expectativas de segurança, compliance e cultura desde o primeiro dia.

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