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Especial · 23º Fórum de Compras & Sourcing

Liderar times em meio à transformação: o que muda no papel do comprador

Em painel no 23º Fórum de Compras & Sourcing, especialistas discutiram como a volatilidade geopolítica, os dados e a IA estão redesenhando a liderança em Procurement — e por que o trabalho transacional está com os dias contados.

Arena Procurement 36006 de outubro de 2026 às 14:54cobertura assistida por IA, revisada pela redação
Imagem gerada por IA

A palestra "Como liderar times em um cenário de transformação constante", no palco Arena Procurement 360, reuniu profissionais de compras de grandes empresas para discutir como preparar equipes de Procurement para um ambiente marcado por guerras, choques de preço de petróleo e adoção acelerada de inteligência artificial.

Um ponto central da apresentação foi a ideia de que a IA não elimina pessoas, mas elimina tarefas. Como resumiu a apresentação: "Eu costumo falar que não estamos aposentando pessoas. Estamos aposentando tarefas. Tarefas que, antes, eram mais transacionais, mais táticas."

Fundação de dados antes da automação

Para times que querem escalar IA em Procurement, a apresentação defendeu começar pela base, não pelos agentes inteligentes: "dados sem dono, daqui a seis meses vira lixo". A recomendação foi construir primeiro um MDM (master data management), uma taxonomia e um data lake único, com time de governança dedicado, antes de liberar agentes dependentes dessa estrutura — embora agentes simples, que "não dependem de taxonomia" e apenas leem descritivos para alertar status via chat, já possam rodar em paralelo.

Metas individuais e cultura de experimentação

Outro ponto relevante para quem desenvolve software corporativo: a apresentação descreveu metas de IA ligadas a cada colaborador, não só à área, citando a lógica do "churrasco de paulista" — testar pouco, ajustar, testar mais — como metáfora para adoção gradual de ferramentas como Gemini, Claude e ChatGPT dentro das equipes.

Competência central: tradução de dado em decisão

A apresentação apontou a "tradução" como a principal competência exigida agora do comprador: "traduzir o dado em decisão de negócio", deixando de ser "um balcão de pedido" para se tornar referência técnica junto às áreas internas. O exemplo citado foi a identificação, via BI, de um crescimento exponencial de requisições pequenas (BPO), que levou à proposta de rever política de alçada ou criar automação — em vez de seguir tratando manualmente um volume que não gera economia relevante.

O papel do líder

Ao fechar, a apresentação resumiu o que muda na liderança: "nós líderes de suprimentos precisamos dar espaço para que as equipes tenham referências para fazer bons julgamentos. Eu acho que essa é a nossa principal missão." A mensagem para squads que constroem ferramentas internas de compras: investir em dados confiáveis, automatizar o transacional e liberar tempo do time para julgamento estratégico e relacionamento — algo que, segundo a apresentação, nenhuma IA substitui por enquanto.

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