Compliance sem imposição: como a Besox cortou 8% do ticket médio de viagens alinhando incentivos
Na gestão de viagens corporativas, o maverick spend é a regra, não a exceção. O caso Besox mostra que a alavanca mais eficiente para o comprador pode ser o desenho do incentivo, antes do controle.
Publicado em · 5 min de leitura

Quem trabalha com compras conhece o problema. A negociação com a agência de viagens corporativas foi bem-feita, o contrato está assinado e a política está publicada. Mesmo assim, uma parte relevante do gasto escapa pela ponta. Em viagens isso é ainda mais comum. A decisão de compra está pulverizada entre dezenas ou centenas de viajantes, e cada um escolhe o hotel na hora, longe de qualquer aprovação.
A Besox enfrentava exatamente esse cenário. A solução que adotou não aumentou o controle. Ela mudou o incentivo de quem compra. O resultado foi −8% no ticket médio e +37% de adesão à política de viagens.
O diagnóstico: um problema de agência, não de regraA Besox tinha uma política bem estruturada, com teto de diária, antecedência mínima de compra, hotéis preferenciais e classe econômica em trechos curtos. O documento era conhecido, e mesmo assim o desvio era rotina.
"A gente cobrava disciplina sem oferecer nada em troca", resume Christian Santos, gerente de compras da Besox. "Se escolher o hotel mais caro não custa nada para o viajante, ele vai escolher."
Em linguagem de procurement, é um desalinhamento clássico entre quem decide e quem paga. O custo do desvio fica com a empresa e o conforto do desvio fica com o viajante. Nenhum volume de e-mails, advertências ou etapas de aprovação resolve isso de forma sustentável. Cada nova camada de controle adiciona atrito, tempo de processo e custo administrativo.
A intervenção: travel tech a serviço do complianceA Besox adotou o programa de cashback corporativo da Loupit, travel tech e marketplace de viagens corporativas em que diferentes agências disputam cada reserva. A regra do programa é simples e pública:
- Reserva dentro da política: 2% de cashback em hospedagem para o viajante.
- Reserva fora da política: 1% de cashback.
- −8% no ticket médio. É efeito direto de reservas mais antecipadas e concentradas em fornecedores preferenciais, o que também fortalece a posição de negociação da empresa nas próximas rodadas.
- +37% de adesão à política. Na prática, é mais spend under management. A maior parte da migração veio da escolha de hotéis dentro do teto e do respeito à antecedência mínima.
- Custo incremental nulo. O cashback distribuído é uma fração da economia gerada. Não é uma nova linha de despesa, é uma participação no ganho.
O crédito é pessoal e pode ser resgatado em viagens de lazer. A compra não é bloqueada, não há multa e não há aprovação adicional. O viajante simplesmente passa a ter um motivo concreto para comprar como o departamento de compras compraria. A tecnologia faz o resto, porque mostra a regra e a recompensa no mesmo lugar onde a decisão acontece.
Os resultados, na ótica de comprasÉ esse último ponto que costuma convencer o CFO. Se o desvio custava mais do que o prêmio, pagar o prêmio é a opção mais barata disponível.
O ganho que não estava no business caseO objetivo era financeiro, mas o RH também capturou valor. O viajante frequente costuma ser o comercial, o técnico de campo ou o gerente de projeto, perfis caros de repor. Ele passou a perceber o programa como um reconhecimento do desgaste pessoal de viajar a trabalho.
"Economia foi o resultado que a diretoria pediu. Retenção foi o resultado que a gente não sabia que estava comprando junto", diz Christian Santos.
Para compras, isso também tem valor. A área deixa de ser vista como "a polícia da viagem" e o atrito com as áreas de negócio diminui.
Lições de gestão de viagens para compras, supply chain e procurement- Concentre a política nas poucas regras que movem o custo. Teto de diária, antecedência e fornecedor preferencial respondem pela maior parte do resultado.
- Desenhe o incentivo antes do controle. Onde a decisão está pulverizada, alinhar interesses escala melhor do que aprovar caso a caso.
- Mostre a recompensa no momento da decisão. A diferença entre 2% e 1% aparece na tela da reserva, não no relatório do mês seguinte.
- Meça como uma categoria de gasto. Acompanhe ticket médio, adesão e spend under management mês a mês, com linha de base antes do programa.
- Olhe para o custo total, não só para o fee. Na contratação de uma agência de viagens corporativas, a concorrência costuma ser decidida pela taxa de serviço, mas o gasto real está no preço da passagem e da hospedagem. Um marketplace de viagens corporativas inverte essa lógica, porque as agências passam a competir também pelo preço de cada viagem.
No dia 7 de outubro de 2026, eu e Leonardo Crispim, CTO da Loupit, subimos ao palco do Fórum de Compras para debater como fazer uma gestão de viagens corporativas eficiente. Vamos discutir porque a taxa da agência domina as concorrências enquanto o verdadeiro gasto está no preço da viagem, como a travel tech e a inteligência artificial estão mudando a comparação entre fornecedores e como incentivos bem desenhados, como no caso Besox, elevam a adesão à política sem burocracia.
Se viagens corporativas estão na sua carteira de categorias, vale reservar esse horário na agenda.
Quer estimar o impacto na sua empresa? Use o simulador de economia da Loupit, entenda como funciona o marketplace de viagens corporativas ou conheça o programa de cashback corporativo.
Por Patrick Tytgadt, CEO da Loupit e especialista em Travel Tech
*Os artigos assinados por parceiros da Live University refletem exclusivamente a opinião de seus autores e não representam necessariamente o posicionamento oficial da Live University, suas escolas ou empresas parceiras.
Leia também
- Compras
Copastur LATAM: gestão regional de viagens corporativas para empresas na América Latina e Caribe
Por que Compras deve cotar viagens em um marketplace multiagência? Veja 10 motivos, dados de mercado e um checklist para escolher a plataforma certa.
- Compras
10 motivos para comprar viagens corporativas em um marketplace que compara preços entre agências
Por que Compras deve cotar viagens em um marketplace multiagência? Veja 10 motivos, dados de mercado e um checklist para escolher a plataforma certa.
- Compras
Como reduzir custos com viagens corporativas em 2026: 7 estratégias da Copastur para economizar sem perder eficiência
Descubra 7 estratégias para reduzir custos com viagens corporativas em 2026 usando tecnologia, dados, governança e planejamento sem perder eficiência.
- Compras
Duty of Care nas viagens corporativas: como proteger colaboradores e reduzir riscos para o negócio
Entenda o que é Duty of Care nas viagens corporativas e como proteger colaboradores com gestão de riscos, tecnologia e monitoramento contínuo.




