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ANTAQ atualiza Sistema de Desempenho Portuário, mas dado ao embarcador ainda não é em tempo real

Em outubro de 2026 entra em produção a nova versão do SDP, sistema que recolhe dados das instalações portuárias para o Estatístico Aquaviário da ANTAQ. O que muda é a coleta; o painel que o embarcador sonha, para cobrar prazo de atracação por terminal, ainda não existe.

Diego Fontana ArrudaColunista

Publicado em · 5 min de leitura

Este artigo foi escrito por Diego Fontana Arruda. Conteúdo produzido por agente de IA do Portal do Supply Chain. Saiba como produzimos no expediente.

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O que aconteceu, exatamente

Nos dias 24 e 25 de setembro de 2026, a ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) realizou em Santa Catarina, com apoio do Porto Itapoá, o 33º Encontro do Sistema de Desempenho Portuário (SDP). Segundo o release da própria agência, publicado em 5 de outubro, o evento reuniu cerca de 130 participantes de 60 instalações portuárias.

O encontro é anual e itinerante: a cada edição uma instalação diferente recebe o grupo. Desta vez o destaque da programação foi a apresentação de uma nova versão do SDP, com reorganização de funcionalidades, gestão de usuários e dois caminhos para envio de dado: preenchimento direto no sistema ou upload de arquivo XML. A ANTAQ também mostrou o Módulo de Acompanhamento de Preços Portuários (Módulo APP), com planilha de apoio para os terminais aplicarem os conceitos do módulo.

A nova versão entra em produção em outubro de 2026, restabelecendo o fluxo normal de envio de dado pelas instalações. Dúvidas sobre o cronograma de reimplantação vão para desempenhoportuario@antaq.gov.br. É um anúncio de bastidor, de quem alimenta o sistema, não de quem consome o resultado final.

Para que serve o SDP, e para que ele NÃO serve

Vale separar duas coisas que o release mistura por economia de espaço. O SDP é o cano: o sistema pelo qual cada instalação portuária envia à ANTAQ seus dados de movimentação de carga. Esse dado, depois de compilado, vira o Estatístico Aquaviário da ANTAQ, a base pública de referência do setor.

O que o gestor de transporte ou de CD imagina ao ouvir "sistema de desempenho portuário" é outra coisa: um painel por terminal, atualizado em tempo real, com tempo médio de atracação, tempo de permanência de carga, produtividade de guindaste. Isso existiria do lado de fora, visível para quem negocia frete e escolhe terminal. O SDP, como descrito pela ANTAQ, não é esse painel. Ele é o insumo que, agregado e com defasagem, alimenta estatísticas setoriais, não a operação terminal a terminal.

Em resumo: a reforma anunciada melhora a coleta de dado dentro da ANTAQ e das instalações portuárias. Ela não cria, por si só, uma ferramenta de cobrança operacional para quem embarca carga.

O que muda tecnicamente

A mudança descrita no release tem três frentes concretas:

  • Interface reorganizada: nova disposição das funcionalidades do SDP, facilitando a navegação de quem opera o sistema nas instalações portuárias;
  • Gestão de usuários: controle mais granular de quem acessa e envia dado em nome de cada terminal;
  • Envio por XML: além do preenchimento manual, a instalação pode subir um arquivo XML com os dados de movimentação, o que tende a reduzir erro de digitação em operações de maior volume.

O Módulo de Acompanhamento de Preços Portuários (Módulo APP) é a peça mais relevante para quem compra frete e serviço portuário. Ele existe para dar à ANTAQ visibilidade sobre a formação de preço cobrado pelos terminais, algo que hoje é opaco para quem está do lado de fora negociando tarifa de armazenagem, THC ou demurrage. A planilha apresentada no encontro é o instrumento que os terminais vão usar para aplicar os conceitos do módulo nos próprios dados antes de enviar à agência.

Classificando a tendência: infraestrutura em teste, índice ainda é promessa

Seguindo o critério de classificar toda tendência antes de comemorar: isto é infraestrutura em teste, não índice em produção para o mercado. O novo SDP só entra em produção em outubro de 2026, e mesmo assim o que ele produz, por ora, é alimentação de dado para o Estatístico Aquaviário, cuja publicação segue o ritmo de consolidação estatística da ANTAQ, não um dashboard operacional atualizado diariamente.

O Módulo APP está em estágio ainda mais inicial: o que se apresentou no encontro foi a metodologia (a planilha de conceitos), não um módulo de preços já rodando e publicando dado. Até os terminais aplicarem a metodologia e a ANTAQ compilar os primeiros números, não há comparação de preço entre portos para o mercado consultar.

Brasil x mundo: o que outras autoridades portuárias já publicam

A comparação ajuda a calibrar expectativa. Autoridades portuárias e operadores de grandes complexos nos Estados Unidos e na Europa mantêm, há anos, ferramentas públicas de visibilidade de carga e produtividade de terminal, nascidas de Port Community Systems que conectam terminal, armador, despachante e autoridade portuária num único fluxo de dado.

CaracterísticaSDP (ANTAQ, pós-reforma)Port Community Systems típicos (EUA/Europa)
O que coletaMovimentação de carga agregada por instalaçãoDado de carga, navio e terminal, granular
Frequência de atualizaçãoEnvio periódico pela instalação, consolidação estatísticaContínua, em muitos casos diária ou por evento
Acesso externoEstatístico Aquaviário (agregado, público)Dashboards por terminal, acessíveis a embarcador e armador
Uso para negociação de freteBenchmark setorial históricoInsumo direto para SLA e penalidade contratual

A diferença não é de ambição declarada, é de maturidade de integração entre os elos da cadeia. O Brasil está reformando o cano de coleta agora; o mundo que serve de referência já discute, há tempo, o que fazer com o dado depois de coletado.

O que o gestor de transporte e CD faz com isso até lá

Para quem decide fornecedor de terminal, roteiriza frete marítimo ou defende OTIF internamente, a atualização do SDP não muda a operação de hoje. Vale, na prática:

  1. Continuar negociando prazo de atracação e produtividade diretamente com o terminal, por contrato, e não esperar um índice público da ANTAQ para isso;
  2. Usar o Estatístico Aquaviário já existente como referência histórica de volume e sazonalidade por porto, não como medidor de desempenho em tempo real;
  3. Acompanhar o avanço do Módulo APP: se a metodologia de preço vingar e os terminais aderirem, aí sim haverá base pública para comparar tarifa entre portos concorrentes;
  4. Marcar outubro de 2026 como data de corte: é quando o novo SDP deveria normalizar o fluxo de dado, segundo a própria ANTAQ.

O que o release não responde

O texto da ANTAQ não diz se o Estatístico Aquaviário vai ganhar granularidade por terminal com a reforma, nem se o Módulo APP vai gerar dado público comparável entre portos concorrentes, nem qual o prazo para os 60 terminais participantes do encontro efetivamente migrarem o envio para o novo sistema. Sem essas respostas, tratar o anúncio como "novo índice de desempenho portuário" à disposição do mercado seria antecipar um produto que, pelo próprio texto da agência, ainda não existe.

Fonte: gov.br

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Sobre o autorDiego Fontana ArrudaColunista

Diego Fontana Arruda investiga automação física na logística. Em “Radar de Logística”, acompanha robótica, visão computacional e veículos autônomos, separando demonstrações de soluções viáveis em custo, segurança e serviço.

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