Live University · Portal do Supply ChainLive University · Portal do Supply Chain
Ao vivo23º Fórum de Compras & SourcingAcompanhe

Compartilhar dados entre elos da cadeia reduz ruptura, mas barreira ainda é cultural, diz GS1 US

Um artigo patrocinado pela GS1 US, publicado nesta segunda-feira (5) no Supply Chain Dive, mostra que visibilidade de estoque não é problema de falta de sistema: é problema de dado que não atravessa fronteira entre fornecedor, transportadora e varejista.

Lívia Sampaio RochaColunista

Publicado em · 7 min de leitura

Este artigo foi escrito por Lívia Sampaio Rocha. Conteúdo produzido por agente de IA do Portal do Supply Chain. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

Um artigo patrocinado pela GS1 US, publicado nesta segunda-feira (5) no Supply Chain Dive, mostra que visibilidade de estoque não é problema de falta de sistema: é problema de dado que não atravessa fronteira entre fornecedor, transportadora e varejista.

O gargalo não é falta de dado, é dado que não atravessa fronteira

O material é um conteúdo patrocinado pela GS1 US, organização global sem fins lucrativos responsável pelos padrões de identificação de produto (o código de barras é o exemplo mais conhecido), publicado no Supply Chain Dive nesta segunda-feira (5 de outubro). A entidade não é fornecedora de software: ela define os padrões que fornecedores de WMS, TMS e plataformas de visibilidade usam por baixo. Por isso o ângulo vale a leitura mesmo sendo material patrocinado: o problema que ele descreve é estrutural, não comercial.

A tese central é simples de enunciar e difícil de resolver: a maioria das empresas de varejo, manufatura e logística já tem alguma capacidade de coletar dado sobre seus produtos. O que falta é o dado sobreviver à troca de mãos. Segundo Liz Sertl, diretora sênior de visibilidade de cadeia na GS1 US, citada na reportagem, um terço dos problemas de visibilidade de hoje vem de dado que se perde ou se desconecta quando o produto passa de um sistema para outro.

O progresso certamente aconteceu, e as empresas entendem que visibilidade e rastreabilidade são muito importantes. Mas boa parte disso fica limitada às operações internas, e elas precisam começar a pensar externamente também. Visibilidade de verdade não acontece sem troca de dados entre parceiros comerciais.

Progress has certainly been made, and companies understand that visibility and traceability are very important. But much of that is limited to their own internal operations, and they need to start thinking externally as well. Real visibility can't happen without the exchange of data between trading partners.Liz Sertl, diretora sênior de visibilidade de cadeia, GS1 US

Quando ruptura e excesso de estoque têm a mesma causa

Para quem monta a previsão de demanda e fecha o ciclo de S&OP, o recorte interessante do material não é o código de barras em si: é o efeito em cascata de uma leitura de dado ruim. A reportagem cita que 70% das operações logísticas relatam problemas de legibilidade de código de barras toda semana. Cada falha dessas gera uma reconciliação manual, e cada reconciliação manual é um ponto onde o número que chega ao planejamento já nasceu torto.

Em resumo: quando o estoque disponível não bate com o estoque real, o efeito não é só o estouro ou a falta pontual. É o viés que entra direto no ciclo de planejamento: estoque de segurança superdimensionado para compensar a incerteza do dado, previsão de demanda ajustada por "inventário fantasma" que na prática não existe na prateleira, e reposição automática disparando pedido sobre um saldo que já estava errado desde a entrada no sistema.

A fonte lista três custos que se acumulam quando a foto do estoque está errada:

  • Carregamento extra de estoque de segurança ou excesso acidental de compra, porque ninguém confia no saldo que o sistema mostra.
  • Vendas perdidas e cliente insatisfeito por inventário fantasma e ruptura que o sistema não via chegando.
  • Reclamação, chargeback, reenvio e custo de atendimento ao cliente só para reconciliar remessa que chegou diferente do que o sistema registrou.

Nenhum desses três itens aparece como "erro de previsão" no relatório de acurácia de forecast. Mas a causa-raiz, segundo o material, é exatamente a mesma: dado que não sobrevive à passagem de um elo para o outro da cadeia.

Sustentabilidade também é problema de dado, não só de discurso

O artigo amplia o argumento para um território que o pessoal de compras já sente na pele: exigência de Responsabilidade Estendida do Produtor (EPR, na sigla em inglês) e relato de emissões de Escopo 3. Sertl usa o exemplo de uma garrafa de água: o plástico, o rótulo e a tampa (que pode ter duas ou três peças) precisam ter composição de material identificada e reportada, às vezes em libras, às vezes em gramas. Isso é dado de mestre de produto granular, não planilha de sustentabilidade genérica.

O problema cresce porque cada estado americano com lei de EPR tem exigência de relato diferente: reunir o dado certo para uma jurisdição não garante conformidade em outra. Scope 3 tem o mesmo problema em escala maior, porque a informação que sustenta o número fica inteiramente fora dos quatro muros da empresa que reporta. Sem padronização de dado de produto entre parceiros, o relato de emissões vira estimativa educada em vez de fato auditável.

O que muda tecnicamente: do código de barras 1D para a camada compartilhada

A solução proposta pela GS1 US combina três peças que, segundo o material, não eram viáveis juntas há cinco ou dez anos: código de barras 2D e/ou RFID para capturar dado no nível do componente, identificadores padronizados como GTIN (Global Trade Item Number) e GLN (Global Location Number) para garantir que todo parceiro fale do mesmo item, e um formato padronizado de rastreamento, o EPCIS, para o dado viajar entre fornecedor, fabricante, co-packer, varejista, consumidor e gestão de resíduos sem se perder na tradução.

A mudança prática que isso permite é a etiqueta carregar só um código 2D escaneável, que aponta para o restante da informação guardada em outro lugar, em vez de empilhar texto numa etiqueta que já não tem espaço. Isso resolve um atrito antigo: marca historicamente trata espaço de rótulo como recurso escasso e não quer sobrecarregá-lo com dado de composição ou origem de componente.

Classificar onde cada peça dessa pilha está hoje ajuda a calibrar expectativa de quem avalia investimento:

Prática ou tecnologiaStatusPré-requisito para adotar
Visibilidade interna via WMS/scanner 1DJá funciona, mas isoladaSistema já instalado na maioria das operações
GTIN e GLN compartilhados entre parceiros comerciaisJá funciona onde há acordo prévioNegociação comercial de troca de dado, não só tecnologia
EPCIS como formato comum de rastreamento ponta a pontaEm teste, adoção ainda parcialIntegração de sistema entre parceiros e governança de master data
Migração da etiqueta 1D para código 2D na embalagemEm transiçãoInvestimento em impressão, leitura e prazo plurianual de adequação
Relato de Scope 3 baseado em dado real de parceiro, não estimativaPromessaEPCIS e 2D consolidados em toda a cadeia, não só em parte dela

O que isso significa para quem faz S&OP

O ponto que a GS1 US faz, e que vale reter mesmo descontando o viés comercial do conteúdo patrocinado, é que tecnologia sem fundação de dado confiável entrega menos do que o comprador espera. Mais dado não é sinônimo de mais visibilidade se esse dado não circula entre os parceiros que decidem junto o nível de serviço.

Ter mais dado não é necessariamente ter mais visibilidade. Você precisa conseguir conversar com seus parceiros de cadeia e compartilhar essa informação. É assim que você realmente destrava valor.

Having more data isn't necessarily better visibility. You need to be able to talk to your supply chain partners and share that information. That's how you can really unlock value.Liz Sertl, diretora sênior de visibilidade de cadeia, GS1 US

No Brasil, essa lógica de governança de dado de produto também tem espaço para avançar fora de setores regulados. Na prática, isso significa que boa parte das empresas aqui compra plataforma de visibilidade cara e segue vendo a mesma ruptura: o investimento resolveu a tecnologia e deixou intacto o combinado comercial de troca de dado com fornecedor e distribuidor.

Para quem fecha S&OP mensal, a armadilha prática é tratar acurácia de estoque como problema interno de sistema quando a causa está no handoff externo. Antes de comprar mais ferramenta de previsão, vale auditar onde o dado de saldo muda de dono: se o fornecedor, a transportadora e o centro de distribuição descrevem o mesmo item com código diferente, nenhum algoritmo de forecast consertará isso sozinho.

Fonte: Supply Chain Dive — Technology

Espaço de oferecimento disponível em Tecnologia e IA. — Oferecimento disponível para Tecnologia e IA
Sobre o autorLívia Sampaio RochaColunista

Lívia Sampaio Rocha observa a tecnologia que está mudando Procurement. Em “Radar de Compras”, avalia automação de P2P, contract intelligence, sourcing digital e risco de fornecedores pela maturidade e pelo valor entregue.

Leia também

Boletim Portal do Supply Chain

Boletins do Supply Chain

Escolha a sua área e receba toda semana o que mudou, os casos reais e as tendências que importam para o seu trabalho, em poucos minutos de leitura. Com número, fonte e o que fazer a respeito.

Como você lê (opcional)