“O saving é um câncer”: O que o pessoal de compras pensa sobre isso?
“O saving é um câncer”: O que o pessoal de compras pensa sobre isso?
Publicado em · 4 min de leitura
Em 2017, publicamos em nosso blog um texto em que previa o fim do indicador de saving para a área de compras. A ideia desse polêmico indicador é medir o quanto de economia você alcançou nas negociações com os seus fornecedores, independente do valor oferecido.
Na época, o Diretor Educacional da Live University, Alex Leite, afirmava que a maioria das empresas optava em priorizar o preço, em detrimento da qualidade do que era adquirido: "você tende a não privilegiar o que é bom para a empresa em detrimento, somente, do dinheiro que você vai economizar".
Será que agora, cerca de dois anos e meio após a publicação daquela matéria, o pensamento das áreas de compras a respeito do saving mudou? Ou será que ele tornou-se ainda mais comum? Conversamos novamente com Alex Leite, que foi ainda mais contundente sobre o quão ultrapassado é o conceito deste indicador para as empresas:
"Eu acho que houve a mudança de mentalidade em poucas empresas e em poucos executivos. Alguns já tomaram uma iniciativa maior de equilibrar este indicador com outros indicadores e pensar de uma maneira que gere valor, mas ainda é muito tímido perante o que eu acho que tem que acontecer. O saving é o câncer da área de compras. Ele, como único indicador e norteador da área, é muito prejudicial. E eu chamo de câncer porque ele vai corroendo aos poucos toda a mentalidade de que a área de compras pode ser estratégica. Esse ‘querer ser estratégico’ significa trazer mais inovação, mais geração de valor, soluções novas, novos fornecedores, melhoria de produtividade. E todas essas novas soluções podem não custar mais barato comparativamente à compra anterior”, afirmou Alex.
O diretor educacional ainda apontou que outros indicadores poderiam ser trabalhados numa área de compras. Ele citou que o TCO (Total Cost of Ownership) costuma ser utilizado junto com o saving, mas ainda é muito pouco para o ideal estratégico que a área precisa buscar.
“O TCO apenas adiciona um elemento a mais no custo de composição total, mas não traz elemento de inovação, de novos produtos. Os outros indicadores podem medir o quanto você captura de geração de receita lá na ponta devido aos novos fornecedores e novas soluções que você trouxe. E também são importantes os indicadores de integração entre a área comercial, industrial e compras, porque ao invés de medir isoladamente, a gente mede a satisfação e resultado lá na ponta. O Net Promoter Score (NPS), que é um indicador tipicamente usado pelo marketing, deveria ser usado em conjunto com a área comercial, de compras, e deveria ser o outro cara para conseguir um novo tipo de aferição não focado só no saving”.
E o pessoal de compras, o que eles pensam a respeito do saving? Apresentamos a opinião do diretor educacional da Live University à quatro profissionais da área, que citaram também seus pontos de vista a respeito, concordando ou discordando do que foi dito por Alex.
Afinal, o saving é mesmo um câncer para a área de compras? Confira!
Lucas Ramalho (Gerente de Compras Latam na Tait Communications) - Não acho que saving seja um câncer. Na minha opinião, o conceito de saving vem sendo depredado ao longo dos anos. O conceito de saving precisa ser mais bem interpretado. Que tipo de saving queremos controlar? Como os conceitos de “Should Cost’ e “TCO” vão influenciar? Venho escutando muitos compradores falar em saving, mas na verdade não são reduções reais e não deveriam receber esse nome. Mas o câncer não é o saving, e sim a forma errônea que este instituto vem sido encarado.
Luciano Viana de Melo (Gerente de Suprimentos, Compras e Facilities no SESI-PE) - Podemos considerar que este indicador hoje corrói sim as operações em compras. Ele ocupa um tempo dos profissionais no monitoramento e coloca as atividades dos analistas de compras como o famoso "pedidor de desconto", pois não existem metodologias (conceitos) que possam aferi-los. Este indicador foi criado em uma época que as empresas compravam de uma forma diferente, onde os preços dos produtos e serviços eram sigilosos, e isso fazia parte da estratégia. Porém hoje existe um novo mercado e indicadores mais eficientes para as áreas de compras e que contribuem com resultados mais consistentes.
Everton Almeida (Analista de Suprimentos Sênior) - Não concordo, toda área de compras é movida a saving. O departamento de compras nos últimos anos sofreu uma mutação gigantesca. O saving para o comprador atual também pode ser medido por uma boa relação entre fornecedor, com uma garantia de um melhor OTIF. Em resumo, para um departamento de compras, o saving é uma premissa.
Isabelle Lazzarotto Teixeira (Supervisora de Compras no Grupo Mascarello) - Não considero esse indicador como câncer, pois é um dos principais KPIs da área de compras, o objetivo sempre é comprar bem para obter melhor performance, para isso o saving é de extrema importância.
E para você, o saving é um “câncer” ou um indicador importante para a área de compras? Participe da conversa deixando sua opinião nos comentários ;)
Leia também
- Compras
Copastur LATAM: gestão regional de viagens corporativas para empresas na América Latina e Caribe
Por que Compras deve cotar viagens em um marketplace multiagência? Veja 10 motivos, dados de mercado e um checklist para escolher a plataforma certa.
- Compras
10 motivos para comprar viagens corporativas em um marketplace que compara preços entre agências
Por que Compras deve cotar viagens em um marketplace multiagência? Veja 10 motivos, dados de mercado e um checklist para escolher a plataforma certa.
- Compras
Compliance sem imposição: como a Besox cortou 8% do ticket médio de viagens alinhando incentivos
Na gestão de viagens corporativas, o maverick spend é a regra, não a exceção. O caso Besox mostra que a alavanca mais eficiente para o comprador pode ser o desenho do incentivo, antes do controle.
- Compras
Como reduzir custos com viagens corporativas em 2026: 7 estratégias da Copastur para economizar sem perder eficiência
Descubra 7 estratégias para reduzir custos com viagens corporativas em 2026 usando tecnologia, dados, governança e planejamento sem perder eficiência.





