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Transportadoras de carga aérea criam associação internacional para destravar agendamento de docas e padronizar contratos

Seis transportadoras de road feeder services fundaram o IRFA para atacar a falta de padrão em agendamento de docas, contratos e dados de rastreamento no transporte que liga centros de distribuição a aeroportos.

Rodrigo Tavares LinsColunista

Publicado em · 5 min de leitura

Este artigo foi escrito por Rodrigo Tavares Lins. Conteúdo produzido por agente de IA do Portal do Supply Chain. Saiba como produzimos no expediente.

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O gargalo: caminhão parado é avião que não enche

O road feeder service (RFS) é o trecho rodoviário que liga centros de distribuição, fábricas e armazéns aos terminais de carga dos aeroportos, muitas vezes substituindo um trecho aéreo mais curto por caminhão. Segundo reportagem do Air Cargo News publicada em 5 de outubro de 2026, esse segmento cresceu em importância para as companhias aéreas, mas nunca teve um órgão representativo próprio nem regras comuns entre operadores, handlers e companhias aéreas.

O problema mais citado pelos próprios transportadores é o agendamento de slots nos terminais de carga aeroportuários. Sem padrão de alocação, caminhões e motoristas perdem horas esperando vaga para carregar ou descarregar, o que já causou conexões de voo perdidas e promessas de retirada de carga não cumpridas. Some-se a isso a ausência de um contrato padrão entre RFS e companhias aéreas, a falta de dados compartilhados em tempo real sobre a carga na estrada e uma escassez crescente de motoristas, agravada por instalações precárias nos terminais.

A solução: seis transportadoras fundam o IRFA em Atenas

A International Road Feeder Association (IRFA) foi anunciada durante o evento Aviation Connect, em Atenas, com seis empresas fundadoras: Arthur Welter Transport, Georgi Transport e Jan de Rijk (Europa), Wallenborn Transport, Thor Xpress (Estados Unidos) e Wymap Transport (Austrália). A entidade é sem fins lucrativos e está em processo de registro em Luxemburgo, o que já sinaliza a ambição de atuar como interlocutora pan-europeia e, por extensão, global.

Henrik Ambak, presidente e secretário da associação, descreveu o escopo de atuação do IRFA em entrevista coletiva de lançamento:

O objetivo do IRFA é representar o setor de RFS e outras partes interessadas. Isso pode incluir recomendar boas práticas em segurança, sustentabilidade, documentação, processos e sistemas, participar da elaboração de regulamentações relevantes, atuar como organização de contato para as autoridades e oferecer treinamento e disseminação de informação para o setor.

The topic of IRFA is to represent the RFS industry and other stakeholders. It could be recommending best practice on security, sustainability, safety, documentation, process and systems, participating in the elaboration of relevant regulations, acting as a contact organisation for authorities, and providing training and information dissemination to the sector.Henrik Ambak, presidente, International Road Feeder Association

A ideia não nasceu agora. Ram Menon, COO da Wallenborn Transport e um dos integrantes do conselho, contou que a proposta começou a ser discutida dois anos antes, numa edição anterior do próprio Aviation Connect, o que mostra que o setor vinha amadurecendo a demanda por representação antes de formalizá-la.

O número: um terço da carga aérea europeia passa pela estrada

Ambak citou um dado que dimensiona por que o tema importa para quem decide roteirização e nível de serviço: na Europa, um terço de toda a carga aérea começa ou termina sua viagem com um trecho de RFS. Isso significa que falhas de agendamento de doca ou contratos mal definidos nesse trecho rodoviário afetam diretamente o OTIF da ponta aérea, mesmo quando o voo em si roda sem atraso.

O conselho de liderança reúne executivos dos seis fundadores, o que dá à associação alcance em três continentes já na largada:

NomeCargoEmpresa
Henrik AmbakPresidente e secretárioIRFA
Michael RauChief sales officerArthur Welter Transport
Christian GeorgiChief operating officerGeorgi Transport
Ram MenonChief operating officerWallenborn Transport
David SmorenburgBusiness development managerJan de Rijk
Kirk EjdysOwnerThor Xpress
Justin BaileyChief executiveWymap Transport

O que replicar: contrato padrão, regra de slot e dado em tempo real

O IRFA listou uma pauta concreta de prioridades, que serve de roteiro para qualquer operação que lide com transporte rodoviário atrelado à carga aérea, mesmo fora da Europa:

  • Contrato e SLA padrão: um modelo de referência para destravar licitação, contratação e acompanhamento de serviço entre companhias aéreas e operadores de RFS, com termos comerciais ainda negociados caso a caso entre cada aérea e cada transportador.
  • Padrão de alocação de slot: regras comuns com os ground handlers para carga e descarga de caminhões nos terminais, reduzindo falhas de serviço por conexão de voo perdida ou retirada não cumprida.
  • Dado padronizado em tempo real: formato comum de informação sobre a carga na estrada, para sustentar visibilidade ponta a ponta entre o CD de origem e o terminal de carga do aeroporto.
  • Infraestrutura de sustentabilidade: mais pontos de recarga elétrica e de abastecimento de hidrogênio nos aeroportos, hoje um gargalo para qualquer operador que queira eletrificar a frota de RFS.
  • Instalações para motorista: melhoria de banheiro, área de descanso e acesso nos terminais, item apontado como determinante para atrair mão de obra num setor que já enfrenta escassez de motoristas.

Sobre a alocação de slot, especificamente, o próprio IRFA descreveu o tamanho do problema: operadores de RFS "perdem muitas horas de caminhão e motorista por alocação insuficiente de slot nos terminais de carga aeroportuários", o que "frequentemente leva a falhas de serviço, com conexões de voo perdidas ou promessas de retirada não cumpridas". A entidade diz querer, junto com os ground handlers, "criar padrões sólidos de alocação de slot para carga e descarga de caminhões, reduzindo falhas de serviço e aumentando a eficiência".

Menon resumiu o motivo pelo qual achou que o setor precisava de voz própria, numa frase que capta o ângulo operacional antes de qualquer discussão de tecnologia ou sistema:

Normalmente somos esquecidos, mas se os caminhões não rodam, os aviões não voam cheios. Nunca tivemos voz, e todo o propósito disso é nos dar voz para que possamos ir até o setor e trazer algo em nível estrutural e tangível.

We are normally forgotten, but if the trucks don't run, the planes don't fly full. We have never had a voice and the whole purpose of this is to give us a voice so we can go to the industry and bring something to the industry on a structural level and on a tangible level.Ram Menon, chief operating officer, Wallenborn Transport

Para quem gerencia operação de transporte ligada a aeroportos, a fundação do IRFA ainda não resolve nenhum dos problemas listados: contrato padrão, regra de slot e dado em tempo real seguem por negociar com handlers e companhias aéreas. O que muda, por ora, é a existência de um canal único para levar essas pautas à mesa, algo que o setor de RFS, ao contrário de armadores marítimos ou handlers aeroportuários, nunca teve.

Fonte: Air Cargo News

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Sobre o autorRodrigo Tavares LinsColunista

Rodrigo Tavares Lins entra na operação de armazéns e centros de distribuição. Em “Operação Real”, examina layout, estoque, separação, produtividade e OTIF para revelar onde a logística ganha ou perde desempenho.

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