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Palestra na Lactalis propõe roteiro de 12 meses para IA na liderança de supply chain

Alex Leite, da Live University, levou a provocação sobre fluência em IA ao Supply Chain Revolution da Lactalis, em Campos do Jordão, e propôs um roteiro de 12 meses para sair da demonstração e chegar à operação.

Redação Portal do Supply ChainRedação

Publicado em · 4 min de leitura

Este artigo foi escrito por Redação Portal do Supply Chain. Conteúdo produzido por agente de IA do Portal do Supply Chain. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

O Supply Chain Revolution, evento interno que reúne toda a liderança de Supply Chain Brasil da Lactalis, aconteceu em Campos do Jordão sob condução de Paulo Leônidas, diretor de Supply Chain da companhia. Um dos convidados foi Alex Leite, sócio-diretor da Live University (liveuniversity.com), com a palestra "IA é a nova língua do Supply Chain: você é fluente ou analfabeto?". A provocação do título resume o recado: para quem lidera operação, dados e fornecedores, a pergunta não é mais se vai usar IA, é se sabe conversar com ela.

O relato da palestra, assinado pelo próprio Alex Leite, chegou à redação como registro de quem esteve lá. O texto a seguir organiza o que ele apresentou e, principalmente, o roteiro que propôs à liderança da Lactalis para os próximos 12 meses — uma sugestão do palestrante, não um plano assumido pela companhia.

Fluência não é jargão técnico

Para Alex Leite, fluência em IA tem uma definição prática: conseguir formular uma pergunta operacional, conferir a resposta e usar o resultado com responsabilidade. Isso não substitui o conhecimento de quem lidera a operação — pelo contrário, depende dele. A ferramenta só produz algo útil quando recebe contexto de quem entende do negócio.

Em frente ao painel do Supply Chain Revolution, evento que reúne a liderança de Supply Chain Brasil da Lactalis, em Campos do Jordão.
Em frente ao painel do Supply Chain Revolution, evento que reúne a liderança de Supply Chain Brasil da Lactalis, em Campos do Jordão. Divulgação.

A palavra "analfabeto" no título da palestra foi pensada como provocação, não como desqualificação.

A palavra analfabeto no título foi uma provocação sobre essa competência. Não se trata de desqualificar a experiência de quem lidera, mas de perguntar quanto dessa experiência consegue se converter em orientação clara para a IA.

Alex Leite, sócio-diretor da Live University

Quatro aplicações, pouca teoria

As demonstrações partiram de ferramentas que já circulam no dia a dia de quem trabalha com planejamento e operação: recursos de IA embutidos no pacote Office, dashboards, aplicativos construídos em HTML e agentes autônomos. A escolha não foi acidental: o objetivo era aproximar a tecnologia dos instrumentos que o time da Lactalis já usa, em vez de vender conceito.

Alex Leite mostrou análises e apresentações geradas a partir das próprias planilhas usadas pelo time de Supply Chain. Também apresentou dashboards montados sobre bases de dados reais e aplicativos em HTML voltados a problemas específicos de gestão. A ressalva veio junto: um protótipo serve para testar hipóteses, mas exige validação, segurança e manutenção antes de qualquer coisa entrar de fato na rotina da operação.

Agente autônomo exige contrato de limites

A frente mais sensível das demonstrações foram os agentes autônomos, capazes de executar sequências de tarefas dentro de um escopo definido. A responsabilidade por esses limites, segundo o palestrante, continua sendo da organização, não da ferramenta.

Três perguntas precisam de resposta antes de qualquer agente entrar em produção:

  • Quais dados o agente pode acessar;
  • Quais ações ele pode executar sozinho;
  • Em que ponto uma aprovação humana se torna obrigatória.

Revisão de resultados e registro das ações executadas foram apontados como práticas mínimas para acompanhar o funcionamento desse tipo de automação.

O número que separa usar de adotar

Para sustentar o argumento de que uso pontual e adoção estruturada são coisas diferentes, Alex Leite recorreu ao IMTS 2026, levantamento da Live University em parceria com a Inbrasc. O dado central: 88% das empresas pesquisadas já usam IA generativa, mas 59% não têm aplicações estruturadas de IA.

A leitura que ele propõe é direta: ter acesso a uma ferramenta não é o mesmo que incorporá-la à rotina com governança. Esse mesmo diagnóstico aparece em pesquisa publicada em 2025 por McKinsey e MIT (mckinsey.com/capabilities/operations/our-insights/bold-accelerators-how-operations-leaders-are-pulling-ahead-using-ai), que identifica patrocínio executivo, colaboração entre áreas e gestão de dados como fatores que separam empresas que avançam das que ficam paradas na fase de experimento.

O roteiro de 12 meses proposto à liderança da Lactalis

O convite deixado por Alex Leite aos líderes presentes em Campos do Jordão foi começar pequeno, com processo real, dono definido e indicador acompanhado. Vale repetir: é uma proposta de ação discutida na palestra, não um plano já assumido pela Lactalis.

  1. Escolher um problema concreto — uma tarefa com retrabalho, demora ou dificuldade recorrente de análise.
  2. Definir o responsável — quem conduz o teste, valida as entregas e acompanha o processo.
  3. Escolher um indicador — comparar a situação inicial com os resultados, em tempo, qualidade, custo ou nível de serviço.
  4. Testar com limites — usar apenas dados autorizados e definir critérios de revisão antes de incorporar a solução à rotina.
  5. Escalar com evidência — ampliar a aplicação quando resultado e segurança justificarem o passo seguinte.

A advertência que fecha o roteiro é sobre o erro mais comum nesse tipo de iniciativa: distribuir licenças de ferramentas de IA sem casos de uso definidos aumenta o risco de subutilização. Para Alex Leite, a ferramenta precisa encontrar um problema que valha a pena resolver antes de virar política de empresa.

O próximo passo

O roteiro é uma proposta de Alex Leite aos líderes presentes, não um plano anunciado pela Lactalis. O convite que ele deixou foi sair da demonstração de Campos do Jordão escolhendo uma aplicação que possa ser avaliada na operação, com um responsável e um indicador definidos desde o início.

Alex Leite agradeceu a Paulo Leônidas, diretor de Supply Chain da Lactalis, e a todo o time da companhia pelo convite para a conversa no Supply Chain Revolution.

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