Aço verde pode ser diferencial do Brasil diante do avanço chinês no mercado global
Levantamento do Instituto E+ aponta que a eletricidade renovável e o biogás dão ao Brasil uma vantagem para produzir aço com baixa emissão de carbono, num momento em que o aço chinês domina o mercado global.
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O aço verde, com baixa emissão de carbono, pode se tornar um diferencial competitivo do Brasil num mercado global inundado pela produção chinesa. É o que aponta um levantamento do Instituto E+ Transição Energética e Transformação Industrial, divulgado em 5 de outubro de 2026 pelo Valor Econômico.
Nota da redação: a reportagem fonte deste texto, publicada sob paywall, cita apenas de forma genérica a 'abundância de eletricidade gerada a partir de fontes renováveis' e o 'biogás como opção de rota de descarbonização', sem detalhar a composição da matriz elétrica brasileira nem a origem e os processos de uso do biogás. As descrições técnicas mais específicas sobre esses dois pontos, presentes mais adiante neste texto, são elaborações baseadas em conhecimento geral do setor e não constam explicitamente no material consultado. O leitor deve considerar isso ao avaliar o nível de detalhe técnico do levantamento original.
Para quem compra aço no Brasil, seja para construção, bens de capital ou cadeias de exportação, o estudo sinaliza um caminho possível: usar a origem renovável da energia elétrica nacional e o biogás como argumento comercial diante de compradores que já cobram comprovação de baixa emissão, especialmente na Europa.
O que mostra o levantamento
Segundo o material divulgado, o instituto estudou a descarbonização da siderurgia em diversos países e concluiu que o Brasil tem ativos pouco comuns para reduzir a pegada de carbono do aço. A diretora executiva do Instituto E+, Rosana Santos, aparece como a principal referência institucional do estudo, mas a reportagem do Valor, publicada sob paywall, não traz uma fala direta dela nem os números completos da pesquisa.
Os dois ativos citados explicitamente são a abundância de eletricidade gerada a partir de fontes renováveis e o biogás como opção de rota de descarbonização. Isso aponta para dois caminhos técnicos distintos: usar energia limpa para abastecer fornos elétricos a arco (que já dependem de eletricidade, ao contrário dos altos-fornos a coque) e usar biogás como fonte de calor ou como insumo em processos de redução que hoje dependem de combustíveis fósseis.
Por que o aço chinês preocupa o setor
A reportagem descreve o mercado global de aço como "inundado pelo produto chinês", um cenário de forte presença da produção da China que pressiona os demais players do setor. Esse pano de fundo é o que dá sentido à tese do Instituto E+: se o Brasil não consegue competir em volume ou preço com a siderurgia chinesa, pode tentar competir em outro atributo, a intensidade de carbono do aço entregue.
Essa disputa já afeta compradores corporativos diretamente. Compradores que exportam para a Europa, por exemplo, passam a lidar com exigências crescentes de rastreabilidade de emissões em insumos metálicos, o que torna a origem e o processo produtivo do aço um critério de compra cada vez mais relevante, não só o preço por tonelada.
Os ativos que o Brasil já tem
O levantamento destaca dois fatores concretos como vantagem brasileira:
- Matriz elétrica renovável: a eletricidade brasileira vem majoritariamente de hidrelétricas, com participação crescente de eólica e solar, o que barateia a descarbonização de processos que dependem de energia elétrica, como fornos a arco.
- Potencial de biogás: resíduos agropecuários e urbanos podem virar biometano ou biogás para substituir combustíveis fósseis em etapas de aquecimento ou redução da cadeia siderúrgica.
O que isso muda para quem compra aço
Para profissionais de compras e supply chain, o recado prático ainda é mais estratégico do que operacional. Se a tese do Instituto E+ avançar, especificar aço com menor pegada de carbono em contratos de fornecimento deixa de ser só uma exigência de clientes europeus e passa a ser também um argumento de diferenciação para fornecedores brasileiros em licitações e contratos internacionais.
Isso pode se traduzir, com o tempo, em cláusulas de compra que pedem comprovação de origem energética do aço fornecido, certificações de baixo carbono como critério de desempate entre fornecedores e abertura de linhas de produto específicas por parte de siderúrgicas nacionais que queiram capturar esse posicionamento.
O que ainda falta saber
O estudo completo do Instituto E+ não está disponível na reportagem consultada, que trata do tema por trás de paywall. Não há, no material público, números de redução de emissão, cronograma de adoção pelas siderúrgicas brasileiras, nem indicação de quais empresas já estariam testando essas rotas em escala comercial.
Também não há, na reportagem, detalhamento de como o custo do aço verde brasileiro se compararia ao aço chinês convencional nem estimativa de prazo para que essa vantagem comparativa vire, de fato, diferencial de preço ou de contrato para compradores. Esses pontos tendem a aparecer conforme o instituto detalhar o levantamento ou outras fontes do setor se manifestarem.
Fonte: Valor Econômico
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