Cargo de treinador de IA cresceu 283% em 2025 e abre espaço para quem domina supply chain
Dados da Deel mostram que a contratação de AI trainers disparou em 2025 e, sem formação única exigida, o conhecimento de domínio em compras e logística pode virar porta de entrada para essa trilha.
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Quem trabalha com compras, planejamento de demanda ou logística normalmente não pensa em inteligência artificial como parte do próprio currículo. Um dado da plataforma de contratação Deel, publicado em seu Global Hiring Report 2026 e divulgado pela Exame em 5 de outubro de 2026, sugere que essa conta pode estar mudando: a contratação internacional de AI trainers cresceu 283% em 2025, e a função já reúne mais de 70 mil profissionais em mais de 600 organizações.
O que faz um AI trainer
AI trainer, ou treinador de inteligência artificial, é quem ajuda sistemas de IA a produzir respostas mais precisas e adequadas a um contexto específico. Na prática, o trabalho inclui avaliar respostas geradas por um modelo, classificar dados, identificar erros e dar feedback estruturado para melhorar o sistema.
Um profissional pode, por exemplo, comparar duas respostas do mesmo modelo e apontar qual é mais correta, ou verificar se uma resposta traz informação errada, linguagem inadequada ou ignora a instrução recebida. Segundo a Deel, a função já aparece associada a áreas como medicina, economia, tradução, matemática e software, o que indica que conhecimento de domínio pesa tanto quanto conhecimento técnico de IA.
Os números por trás do crescimento
Além do salto de 283% nas contratações internacionais em 2025, o relatório da Deel mostra que as funções de AI trainer aumentaram quase 11 vezes entre 2024 e 2025, somando contratações locais e internacionais na plataforma. O ritmo acompanha a expansão do uso de modelos de linguagem em tarefas que exigem raciocínio e conhecimento especializado, não apenas geração de texto genérico.
Esse crescimento aparece ao lado de outros sinais de mudança no mercado de trabalho citados pela Exame. O World Economic Forum lista IA e machine learning entre as categorias de emprego com maior expansão percentual esperada até 2030, e estima que 39% das competências hoje usadas no trabalho serão transformadas nesse período. Um levantamento da Lightcast para o AI Index de Stanford mostra que menções a habilidades de IA generativa em vagas nos Estados Unidos saltaram de cerca de 16 mil em 2023 para mais de 66 mil em 2024.
Por que o cargo surgiu agora
Uma das técnicas por trás dessa demanda é o chamado human-in-the-loop: manter pessoas envolvidas em etapas do desenvolvimento ou da operação de um sistema de IA para avaliar e corrigir seus resultados. Quanto mais um modelo é aplicado a tarefas que exigem julgamento (um contrato ambíguo, uma previsão de demanda com sazonalidade atípica, uma cotação técnica), mais a empresa precisa de alguém que saiba dizer se a resposta do modelo está certa.
É aí que a função foge do perfil clássico de engenheiro de dados. A Deel reforça que o AI trainer não precisa atuar como desenvolvedor: o valor dele está em avaliar se o resultado produzido faz sentido dentro de um contexto profissional real.
Não existe uma formação única, e isso muda o cálculo de quem vem de supply chain
A reportagem da Exame descreve o AI trainer como um cargo guarda-chuva, sem trajetória acadêmica consolidada. Numa ponta estão profissionais de anotação de dados, que classificam informações para treinar modelos; na outra, especialistas que avaliam sistemas em áreas que exigem conhecimento profissional específico, como medicina ou tradução.
| Perfil | O que faz | Quem costuma ocupar |
|---|---|---|
| Anotador de dados | Classifica e rotula informações para treinar modelos | Perfil técnico ou operacional, sem exigência de especialização prévia |
| Avaliador de domínio | Julga se a resposta do modelo é correta e aplicável num contexto profissional | Médico, tradutor, economista, profissional de tecnologia, segundo exemplos da Deel |
A fonte não cita supply chain nominalmente entre os exemplos de domínio, mas a lógica descrita é direta: previsão de demanda, negociação com fornecedores, gestão de estoque e compliance em contratos de suprimento são exatamente o tipo de julgamento especializado que a Deel descreve como diferencial do avaliador de domínio. Um modelo de IA aplicado a S&OP ou a cotação de fornecedores precisa de alguém que saiba dizer se a resposta faz sentido na prática, e esse alguém tende a ser quem já viveu esse processo na operação, não um engenheiro de IA genérico.
O que isso significa para quem já atua em compras, planejamento ou logística
O recado da reportagem, reforçado pelos dados do World Economic Forum e da Lightcast, é que conhecimento de IA tende a se somar à especialidade original do profissional, em vez de substituí-la. Para quem constrói carreira em supply chain, isso abre duas frentes concretas:
- Usar a experiência de operação (negociação, forecasting, gestão de fornecedores) para avaliar se ferramentas de IA aplicadas à área produzem respostas confiáveis, um papel equivalente ao do médico ou do tradutor citados pela Deel.
- Desenvolver, em paralelo à formação de supply chain, competências de IA citadas no levantamento: entender como modelos funcionam, saber formular instruções (prompts), avaliar respostas e identificar erros de forma estruturada.
Em resumo: o cargo de AI trainer ainda não tem nome fechado nem trilha de formação definida, e é justamente essa abertura que torna a experiência de quem já atua em compras ou logística um ativo, não um obstáculo, para quem quer migrar ou somar essa frente à carreira.
Próximo passo concreto
Antes de buscar uma vaga com o nome AI trainer, o profissional de supply chain tem um exercício mais barato: mapear, dentro da própria operação, onde já existe ou vai existir uma ferramenta de IA tomando decisões (previsão de demanda, triagem de fornecedores, resposta automática a cotações) e se candidatar a ser quem audita essas respostas. É o mesmo papel que a Deel descreve, só que aplicado dentro de casa antes de virar cargo formal no mercado.
Fonte: Exame
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