PMI do Brasil mostra indústria em contração em agosto, EUA divulgam dado de setembro hoje
Nesta segunda-feira, o mercado acompanha a divulgação dos PMIs finais de serviços e composto dos Estados Unidos, além do boletim Focus e da leitura de agosto do indicador brasileiro, que mostrou a indústria ainda em contração.
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Quem decide compra, estoque e nível de serviço tem motivo para acompanhar a agenda econômica desta segunda-feira, 5 de outubro de 2026. Além do boletim Focus do Banco Central, o dia traz os índices de gerentes de compras (PMI) de serviços e composto do Brasil e dos Estados Unidos, indicadores que antecipam a direção da demanda, da produção e das novas encomendas nos dois mercados. É nesse tipo de dado que times de planejamento de demanda e compradores costumam se apoiar para calibrar previsão de vendas e níveis de estoque nas próximas semanas.
Brasil: indústria ainda contrai, serviços melhoram pouco
A S&P Global divulga às 10h o PMI de serviços e composto do Brasil referente a setembro. A leitura mais recente disponível, de agosto, mostrou um quadro dividido. O Índice PMI de Atividade de Negócios do Setor de Serviços subiu para 50,5 em agosto, ante 49,7 em julho, voltando a ficar acima da marca neutra de 50 pontos e sinalizando nova expansão na atividade.
Já o PMI composto, que soma indústria e serviços, passou de 48,8 em julho para 49,1 em agosto, mas permaneceu abaixo de 50, indicando contração da atividade agregada. Segundo a pesquisa, a queda se concentrou no setor industrial, enquanto os provedores de serviços tiveram ligeira melhora. Para quem gerencia cadeia de suprimentos de manufatura, esse descolamento importa: fábricas ainda reportam encolhimento de atividade, mesmo com o setor de serviços puxando a média para cima.
Em resumo: o dado de setembro, que sai hoje, vai mostrar se essa divergência entre indústria em contração e serviços em leve expansão se aprofundou ou começou a reverter.
Estados Unidos: dois PMIs de serviços no mesmo dia
O calendário americano concentra dois indicadores do setor de serviços. Às 10h45 (horário de Brasília), a S&P Global apresenta o dado final do PMI de serviços e composto dos EUA de setembro. A leitura anterior havia marcado 56,5 pontos em serviços e 56,0 no composto; o consenso de mercado para a nova divulgação é de 58,7 e 58,4, respectivamente, segundo o Valor.
Às 11h, é a vez do Instituto para Gestão da Oferta (ISM) publicar seu próprio índice de atividade de serviços de setembro. A leitura anterior do ISM havia sido de 55,4, com estimativa de mercado em 55,7 para a nova rodada. Os dois indicadores medem o mesmo setor por metodologias diferentes, e divergências entre eles costumam gerar volatilidade extra no mercado no dia da divulgação.
Para empresas brasileiras com operação de exportação, importação ou logística internacional ligada aos EUA, esses números servem de termômetro de demanda. Um PMI de serviços americano em expansão forte tende a sustentar o consumo e, por tabela, encomendas de insumos e produtos que passam por cadeias brasileiras, da agroindústria a provedores de serviços B2B.
Boletim Focus: inflação sobe, Selic segue travada
O Banco Central divulga às 8h25 o boletim Focus da semana encerrada em 2 de outubro. No relatório anterior, divulgado em 28 de setembro com estimativas coletadas até 25 de setembro, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 já havia subido de 4,92% para 4,99%. Para 2027, a expectativa passou de 4,30% para 4,31%, e a de 2028 seguiu em 3,80%.
As projeções para a Selic não mudaram: mediana em 13,50% para 2026 pela sexta semana seguida, 12% para 2027 pela 15ª semana e 10,50% para 2028 pela 13ª semana. O câmbio também ficou estável, com o dólar projetado em R$ 5,20 no fim de 2026 pela 15ª semana seguida, R$ 5,28 em 2027 e R$ 5,30 em 2028.
| Projeção | 2026 | 2027 | 2028 |
|---|---|---|---|
| IPCA | 4,99% | 4,31% | 3,80% |
| Selic | 13,50% | 12,00% | 10,50% |
| Dólar | R$ 5,20 | R$ 5,28 | R$ 5,30 |
Para quem monta orçamento de compras e contratos de frete em moeda estrangeira, a estabilidade do câmbio projetado e da Selic dá algum conforto de previsibilidade, mesmo com a inflação subindo na margem. Já o IPC-C1, índice da FGV que mede a inflação da população de baixa renda e também sai hoje às 8h, havia registrado deflação de 0,43% em agosto, após queda de 0,22% em julho, com alta acumulada de 3,54% em 12 meses até agosto.
O que ainda está em aberto
Até o fechamento desta nota, os três PMIs de setembro (Brasil, S&P Global EUA e ISM EUA) ainda não haviam sido divulgados: as leituras citadas aqui são as anteriores e as estimativas de consenso informadas pelo Valor Econômico. O resultado efetivo só sai ao longo da manhã desta segunda-feira, e será ele, não a expectativa, que vai confirmar se a indústria brasileira continua em contração e se o fôlego do setor de serviços americano se mantém acima de 58 pontos como o mercado está precificando.
Fonte: Valor Econômico
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